✨ EDIÇÃO 19#
Nostalgia I Pensamentos I Terapia
Hoje, diferente das outras edições, quero compartilhar um pensamento que tem sondado a minha mente nas últimas semanas. Talvez, essa edição seja a forma terapeutica que encontrei de soltar esses pensamentos e ficar mais leve.
Na busca por conforto na nostalgia de voltar a morar no interior onde nasci, acabei perdendo a minha vó por alzheimer. Meu avô teve um AVC dez dias depois e hoje mora em uma casa geriátrica. Ah, além disso, também encerrei amizades com mais de 15 anos de histórias . What a ride it has been.
Percebi que, mesmo tendo um desejo absoluto de morar na casa dos meus avós (agora desocupada), no momento em que meus móveis tomassem conta do espaço, a nostalgia da “casa da vó” deixaria de existir. Com o passar do tempo, finalmente perceberia o péssimo layout que ela tem (que meus avós também odiavam), os azulejos quebrados que até então não me incomodavam, certamente me deixariam enlouquecido. E o teto de PVC? Prefiro não comentar.
Hoje, quando tento frequentar alguns bares da cidade, preciso lidar com o inferno que é morar no interior e conviver com DJs apaixonados pelos anos 2000. Pra mim, o trabalho do DJ vai muito além da técnica ou do estilo musical. O que realmente me interessa é a curadoria. O mínimo que espero ao sair de casa é descobrir pelo menos uma música nova… mesmo que ela tenha sido lançada em 2004. No momento em que ela tocar, vai ser uma novidade.
Tudo isso tem me feito odiar ainda mais a palavra “NOSTALGIA”. Não aguento ouvir alguém comentar “ai, isso é muito anos 2000”, "achei bem Y2K"…. “nossa, a Samira é muito ícone da Malhação dos anos 2000”… simplesmente pare.
Agora que um dos principais percussores desse boom pelo passado, a série Stranger Things, finalmente acabou, já podemos considerar também o fim da nostalgia? Dos reboots/remakes pelos filmes de terror, por exemplo: hoje precisamos lidar com Pânico 98, com a Sidney Prescott, mais uma vez, correndo de um telhado para o outro. Ou com tantas celebridades usando peças de archive sem entender sequer 1% da referência histórica que aquela roupa carrega. Ela é apenas uma escolha segura/certeira, camuflada com a justificativa de ser afrontosa e intelectual. Bebemos tudo o que podíamos da nostalgia e, agora, não temos mais disponibilidade para que novas propostas entrem. O último exemplo disso? Todo mundo decidiu postar que 2026 é o novo 2016.
Pessoalmente falando, sinto que esse combate se intensificou desde que voltei para a minha cidade natal. O que antes brilhava meus olhos deixou de existir, não porque perdeu valor, mas porque ficou preso demais às memórias que o sustentavam. Novas coisas tentam surgir, mas precisam disputar espaço com um excesso de passado que se recusa a sair de cena.
Talvez o problema não seja crescer, mudar ou deixar de sentir encanto, talvez o verdadeiro impasse esteja na insistência coletiva em tratar a nostalgia como projeto de futuro. A nostalgia, quando não é elaborada, vira apenas repetição. E, nesse estado, ela não preserva nada: apenas impede que algo realmente novo consiga existir.





começou delicado e terminou potente! esse é o poder da transformação <3
I'm so proud of you! Tua visão e sensibilidade encantam!